E Se Moisés Conhecesse a Programação Neurolinguística?

Ao refletir sobre este mundo calcado na moral judaico-cristã, que por sua vez tem como base os 10 mandamentos, você diria que estamos no caminho certo ou que a humanidade se perdeu?

Com este post, quero reforçar a amplitude de interpretações que todo texto pode alcançar analisando os 10 Mandamentos. Você está preparado?

Eu detesto generalizações, qualquer tipo de intolerância religiosa e tenho certeza de que o único tipo de julgamento válido é o autoexame, o julgamento para dentro.

O que vem de dentro a gente reflete, o que vem de fora a gente contempla.

E contemplações e reflexões podem ser expostas, nunca impostas.

Assim, gostaria de propor uma análise filosófica sobre as “10 Palavras” expostas em Êxodo/Shemot 20:1-17 para tentar responder à questão da direção que estamos seguindo, proposta no primeiro parágrafo deste post.

E esta proposta está constituída de três partes:

A primeira é uma questão de PNL, Programação Neurolinguística:

É sabido que o uso da linguagem negativa provoca o comportamento que se deseja evitar.

Portanto, “Não roubarás” tem grandes probabilidades de ser lido como “Roubarás!”

É um caso parecido com as campanhas contra as drogas do tipo “Não Use Drogas!”

É visível que não têm funcionado. O consumo de drogas tem aumentado e o número de homicídios e roubos também.

O que aconteceu mesmo depois da ordem expressa “Não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal?”

O que acontece quando você, fazendo aviãozinho com a colher, diz para uma criança:

“Não coma essa comida, OK?”

Talvez, uma abordagem positivista sobre os 10 mandamentos fosse mais funcional.

Algo do tipo “Seja Honesto!”, “Seja Ético”, “Preserve a Vida” etc.

Mas, então, caímos na segunda parte da análise, a questão do imperativo e dos significados das palavras.  A própria tradução (errada, por sinal) para “Mandamentos”, já denota isto.

A tradução literal é “Palavras” e a ideal seria “Instruções”.

Somos seres mais propícios a mimetizar ações do que a seguir ordens, ou seja, os exemplos práticos são mais eficientes do que os comandos teóricos.

E também não processamos ordens muito complexas.

Uma simples lei pode ser interpretada de diversas maneiras.

Estudos de PNL apontam que se você deseja que seu filho arrume o quarto, a sugestão positiva é o melhor caminho.

Assim, ao invés de dizer “Não bagunce seu quarto” ou mesmo “Arrume seu quarto agora”, o comando mais efetivo viria da sugestão “O que você acha de deixar seu quarto bem limpinho?”.

A sugestão negativa pode até funcionar se o objetivo for a ação contrária:

“Você não precisa ir arrumar seu quarto agora”.

Dentistas têm obtido mais sucesso na redução de faltas em seus consultórios com “Você sabia que 80% dos pacientes avisam quando precisam faltar à consulta?” do que “Se não puder comparecer, remarque sua consulta com antecedência” ou “Não falte à consulta”.

Isto posto, gostaria de propor uma terceira análise, uma revisão filosófica dos 10 mandamentos, sem me preocupar com as questões temporais, espaciais e até mesmo autorais dos escritos atribuídos a Moisés.

A Primeira Instrução: Outros Deuses

Na tradução original do hebraico, o primeiro mandamento (Êxodo 20:2-3) diz:

“Eu sou mesmo, IHVH, teu Elohims que te fez sair da terra de Mitsraim, da casa dos servos. Não haverás para ti outros Elohims contra minhas faces”.

O TETRAGRAMA (IHVH) reflete (é imagem e semelhança) o homem integral com acesso à Sabedoria Superior, aquele que transcendeu a servidão de Mitsraim, a ilusão mental e física.

Seguindo o ditado, “integridade é fazer a coisa certa quando ninguém está olhando”.

“Não haverá para ti outros Elohims contra minhas faces” ou a coloquial tradução “Não terás outros deuses além de mim”, talvez fosse mais funcional com:

“Que tal manter sua Unidade no comando ao invés de deixar que seus caminhos sejam conduzidos apenas pelas necessidades das partes?”

Quando se permite que o corpo, as emoções, a mente ou até mesmo o espírito sejam mais importantes do que a Unidade, os resultados evolutivos não têm sido muito eficientes neste mundo de causa e efeito.

A Segunda Instrução: Escultura e Imagem

O segundo mandamento (Êxodo 20:4-6) diz assim:

“Não farás para ti nem escultura nem qualquer imagem do que está nos céus, na terra embaixo, e nas águas debaixo da terra. Não se prostrarás diante delas e não as servirás. Sim, eu sou mesmo IHVH, teu Elohims, El ardente, sanciono o erro dos pais sobre os filhos, até o terceiro e o quarto ciclo para os que me odeiam. Mas faço o bem-querer até o milésimo a meus amantes, aos guardiões de minhas ordens.”

Muita gente confunde personalidade com individualidade.

A personalidade é a máscara externa que vestimos logo pela manhã, depois de nos banharmos e nos pentearmos, como diria Júlio Cortázar.

Trata-se de algo que se esculpe, ou seja, que é construído de fora para dentro.

E ela é, na maior parte das vezes, nefasta, pois está intimamente atrelada aos desejos físicos, emocionais e mentais.

Um dos maiores objetivos do autoconhecimento é desenvolver a consciência da individualidade, ou seja, da importância do seu propósito único nesta existência e de como ela pode ser útil para a ampliação da consciência coletiva e da sua própria missão na escala evolutiva.

Então, a personalidade é de fora para dentro. A individualidade é de dentro para fora. 

O segundo mandamento poderia ser mais efetivo assim:

“Pessoas evoluídas deixam os desejos de sua personalidade de lado, pois sabem que o apego e a prostração às demandas do ego as afastam da Unidade, o que resulta em refazer a lição até que se aprenda. As que aprendem isto, alcançam o bem-querer decorrente da consciência ampliada.”

A Terceira Instrução: O Nome

Em Êxodo 20:7, encontramos a “Terceira Palavra”:

“Não portarás o nome de IHVH, teu Elohims, em vão: pois IHVH não inocenta quem porta seu nome em vão.”

Aqui pode-se ir além da utilização de forma imprópria de um nome sagrado ou de juramentos usando o nome de deus.

Muita gente procura a religião ou o caminho místico justamente para fugir dos problemas ou aliviá-los.

No entanto, há um dito cabalista que diz que quando você começa a estudar e se aprofundar na Sabedoria Sagrada, seus problemas começam.

A tradução filosófica deste terceiro mandamento diz que após entrar em Zion, o gosto da carne da Matrix nunca mais será o mesmo:

“A partir do momento em que você se torna Um, o ideal é que você mantenha-se nesta Unidade, pois os deslizes serão mais amargos e perceptíveis do que antes”.

E se a mudança de consciência é em vão, de nada adianta.

A Quarta Instrução: o Dia de Sábado

A “Quarta Palavra” (Êxodo 20:8-11) diz o seguinte:

“Lembra-te do dia do Shabat para santificá-lo. Trabalharás seis dias: faz toda a sua obra. No sétimo dia, Shabat para IHVH, teu Elohims, não farás nenhuma obra, tu, teu filho, tua filha, teu servo, teu animal, teu meteco que está em tuas portas. Sim, em seis dias, IHVH fez os céus e a terra, o mar e tudo o que nele existe, depois repousou no sétimo dia, por isso IHVH abençoou o dia do Shabat e o santifica.”

Este é um comando positivo. Ele não diz “não se esqueça”, mas “lembra-te”.

Talvez por isto as três religiões monoteístas estabeleceram um dia que consideraram sagrado, apesar das variações de sexta para o Islamismo, sábado para o Judaísmo e domingo para o Cristianismo.

Mas o ponto aqui vai além da religiosidade.

Vivemos em um mundo que nos distrai o tempo todo. Temos que correr atrás do sustento e o estresse diário faz com que, nas horas vagas, a maior parte das pessoas só queira diversão e ócio.

A palavra Shabat (traduzida para o português como Sábado) tem o mesmo valor guemátrico de “Aeon do Zain”, ou seja, a Era do Zain.

O Zain, a sétima letra do alfabeto hebraico, está associada ao “Guerreiro Espiritual”, aquele que busca constantemente o autoconhecimento e a essência divina em seu interior.

Segundo algumas correntes cabalistas, nós nos encontramos hoje no sexto dia, um código para esta era de transformação que estamos atravessando.

Ela se compara, mais ou menos, com a confusão generalizada dos tempos pré-diluvianos.

O sexto dia refere-se, então, aos períodos de extremo julgamento, o que podemos comprovar apenas assistindo a uma edição de um telejornal.

Assim:

“Lembre-se de manter-se um Guerreiro da Unidade. Pois esta Era em que vivemos exige muito esforço físico e piscológico. Dedique uma parte de seu tempo ao estudo, à reflexão, à contemplação e à ampliação de sua consciência, deixando de lado, durante este tempo, as requisições do corpo, das emoções e da mente para aprofundar-se na Sabedoria Universal”.

A Quinta Instrução: Pai e Mãe

Eis o quinto mandamento em sua tradução do hebraico (Êxodo 20:12):

“Glorifica teu pai e tua mãe, para que se prolonguem teus dias na gleba que IHVH, teu Elohims, te dá”.

No diagrama da Árvore da Vida, o Pai está relacionado à Sabedoria e a Mãe ao Entendimento.

Assim, para que seus dias se prolonguem no processo de Unificação, valorize o Conhecimento decorrente da conquista da Sabedoria e do Entendimento.

Desta forma:

“Que tal se empenhar para ampliar seu conhecimento e, com isto, sua consciência?”

Os cinco primeiros mandamentos foram resumidos por Jesus/Yeoshua como “Amarás a Deus sobre todas as coisas”, ou seja, o homem consciente procura crescer em Sabedoria e Entendimento, destina parte de seu tempo ao crescimento espiritual, mantém-se com a consciência da Unidade sem deixar que isto se perca, deixa os desejos da personalidade de lado para valorizar a individualidade (julgamento para dentro e misericórdia para fora) e busca sempre a Unidade, sem permitir que seus caminhos sejam conduzidos apenas pelo Espírito, pela Mente ou pelo Corpo.

Os cinco mandamentos seguintes estão relacionados ao “amar ao próximo como a ti mesmo.”

Ao aplicar a PNL, eles podem ser lidos da seguinte forma:

A Sexta Instrução: Vida

O texto em Êxodo 20:13 diz exatamente:

“Não Assassinarás”.

Existir é algo raro. Você já parou para pensar na quantidade de átomos e energia necessários para que você simplesmente exista?

E na benção que é você estar aí neste lugar agora, independente de qualquer terremoto que esteja acontecendo lá fora?

Em 13 bilhões de anos do Universo, você está exatamente no momento em que precisa estar. E todas as pessoas ao seu redor, independente de suas índoles, também.

Então, eis o sexto mandamento:

“A vida é um dom único em cada um dos seres. Você consegue perceber isto?”

A Sétima Instrução: Verdade

O texto em Êxodo 20:14 diz:

“Não adulterarás”.

Adulterar é o mesmo que falsificar ou mentir.

A palavra “verdade” em hebraico se escreve com Alef, Mem e Tav.

Ela é composta pela primeira, pela do meio e pela última letra do alfabeto.

Isto significa que toda verdade tem um princípio, um meio e um fim.

Se alguma destas partes falta, já não é mais verdade.

Ser verdadeiro em um mundo onde a dualidade impera é muito difícil.

Mais especificamente, encarar as verdades do Corpo, da Mente e do Espírito de maneira integral permite que se enxergue o Todo.

E isto também se aplica quando olhamos para o outro.

Se você enxerga apenas um corpo, uma mente ou até mesmo apenas o espírito de outra pessoa, você provavelmente estará encarando sua personalidade, sua máscara, e não sua individualidade, aquilo que ela realmente é.

Portanto:

“Enxergar o próximo em sua totalidade te aproxima da Verdade Universal.”

A Oitava Instrução: A Inteireza

A “Quarta Palavra” (Êxodo 20:15) diz o seguinte:

 “Não roubarás”

O homem é um ser que se relaciona com outros.

Nesta relação, normalmente conduzida pelos mandos e desmandos da personalidade, a tendência é que se tente conquistar, seduzir, convencer, superar, ultrapassar, sublimar o outro.

Ou seja, para reforçar suas personalidades, muitos precisam “roubar” uma parte do outro. E acabam roubando a si mesmos.

Vemos muito disto na relação entre casais, onde se busca formar um inteiro através de duas metades.

Acontece também nas relações profissionais, onde várias “partes” são requeridas para se tocar um projeto.

Agora, imagine como tudo poderia ser melhor se cada um percebesse o outro como um ser inteiro. Um casal de inteiros, uma equipe de inteiros.

Assim, a oitava instrução pode ser:

“Você já experimentou enxergar o outro em sua completude sem subtrair qualquer uma das partes? Você é Corpo, Mente, Espírito e contém a Semente Divina. Todas as outras pessoas também.”

A Nona Instrução: A Boa Palavra

O texto em Êxodo 20:16 diz exatamente o seguinte:

 “Não responderás contra teu companheiro em testemunho de mentira.”

A maledicência, vulgarmente conhecida como fofoca, é o comportamento mais destrutivo que um ser humano pode apresentar.

Ao falar mal do outro, você destrói não apenas a integridade dele, mas a sua própria.

E isto acontece quando você também ouve a maledicência.

Responder também não significa somente falar, significa agir.

Portanto:

“A prática das boas ações e das boas palavras em relação ao seu próximo são fundamentais para a sua própria Integridade”

A Décima Instrução: A Aceitação

Em Êxodo 20:17 podemos ler:

“Não cobiçarás a casa de teu companheiro, não cobiçarás a mulher de teu companheiro, seu servo, sua serva, seu boi, seu jumento e tudo que é do teu companheiro.”

Cada pessoa é única e parte integrante da Inteligência Universal.

E cada pessoa é do seu jeito por um motivo muito especial que não nos cabe julgar.

Este é o significado de Aceitação.

Assim, se você deseja ter o corpo, a mente, as emoções, os instintos, a alma, o espírito ou qualquer outra “parte” de outra pessoa, você está relegando as qualidades de cada uma destas partes em você mesmo.

Quando você diz que queria ser, ter ou fazer como fulano, você subestima a sua própria capacidade e, consequentemente, a sua Unidade.

Desejar o que o outro é, tem ou faz é o caminho mais curto para a autodestruição.

Assim:

“Cada uma de suas partes integrantes – sua essência divina, seu espírito, sua alma, sua mente, suas emoções e seus instintos – estão neste exato momento do espaço-tempo por um motivo muito especial. Exatamente como as partes integrantes do outro.”

Com isto, encerro esta contribuição para mais uma compreensão das “10 Palavras de Moisés” utilizando-se da positividade, dos conhecimentos provenientes do estudo da Sabedoria Universal e da Programação Neurolinguística.

Ao compreender cada uma destas instruções a fundo, vivenciá-las e propagá-las para o outro, o homem será capaz de viver uma era de Unidade na Diversidade.

A “Era da Consciência Coletiva” depende que amemos à Unidade sobre todas as coisas e à Individualidade de cada um da mesma maneira que amamos a nossa própria.

O que você acha? Deixe sua contribuição nos comentários.

***

Eldes é Escritor. Alguém que vivencia a “iluminação” como um processo e não como um raio na cabeça. Seu objetivo é motivar cada pessoa a trilhar seu caminho rumo ao autoconhecimento e à evolução. Para ele, a chave da iluminação está na união dos conhecimentos científicos, filosóficos e religiosos, o que ele chama de UniScientia. Ele é autor do livro “Como Transcender no Metrô Lotado – O Manual Para Ser Feliz em um Mundo Conturbado”.

2 comentários em “E Se Moisés Conhecesse a Programação Neurolinguística?

  1. Reconheço q ele, Moisés e seus auxiliares ficaram 40 anos pensando nisto, MAS…
    A pedra era pequena.

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  2. Muito bom!!! Exceto pelo fato de que não somos indivíduos, absolutamente. Somos seres fragmentados e por isto mesmo consciências confusas em busca da necessária iluminação, que pode vir “como um raio na cabeça” ou como um “processo”, dependendo de “quando começou” e das características de cada ser.
    Somos a sociedade, a humanidade e vice versa. Não temos apenas cabeça, tronco, membros, órgãos dos sentidos etc. em comum; temos muito mais do que isto…

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