A Ciência de Ser Feliz e as Causas da Infelicidade

A Torah diz que o preceito mais elevado é a Alegria (Simchá).

Viver com alegria é conseguir enxergar a luz, mesmo no meio da escuridão.

Porém, sei o quanto isto pode ser difícil para muita gente.

O objetivo deste post é filosofar sobre a Ciência da Felicidade e as causas da infelicidade.

Compare duas pessoas que acordam de manhã em condições similares:

A primeira pula da cama com energia e vigor, abre um sorriso e agradece, pois pode respirar, se comunicar, agir.

A segunda xinga, resmunga e vira para o lado, cobrindo a cabeça com o travesseiro, e lamenta o trabalho, o relacionamento, a vida.

Enquanto raríssimas pessoas são felizes 24 horas por dia, algumas são mais felizes do que outras.

A verdade é que vivemos em uma sociedade que valoriza mais a infelicidade, a desgraça.

Infelicidade vende jornal, remédios e outras substâncias para anestesiar a dor.

Um dos caminhos para a felicidade está no equilíbrio

Sincronia Intelectual e Emocional

Existem vários fatores que contribuem para a felicidade, sendo os fatores físicos, emocionais e psicológicos os mais importantes.

Estudos recentes demonstram o papel crítico das experiências emocionais no desempenho e na racionalidade dos seres humanos.

Ao longo da história, já se teorizou muito sobre a origem das emoções.

Intelecto e emoção sempre foram considerados independentes e, muitas vezes, inimigos mortais.

A nova perspectiva é de que quando ambos estão sincronizados, aumentam nossa capacidade cognitiva e o desempenho físico e mental.

Quando nossas emoções não estão alinhadas com uma tarefa a ser cumprida, por exemplo, perdemos entusiasmo e motivação, o que limita nosso acesso à criatividade e compreensão, prejudicando o todo.

Assim, podemos afirmar que o alinhamento de intelecto e emoção é um dos caminhos para a felicidade.

Se você teve más experiências ao longo da vida, vai precisar de mais esforço, pois seu cérebro e corpo estão mais acostumados com a desarmonia do que com a harmonia.

Por isto, o aprimoramento de sua essência (também conhecida por aí como alma, espírito ou consciência evoluída) também contribui para a forma como você se coloca diante da existência.

Consciências menos evoluídas têm maior tendência para a tristeza.

Mas isto está longe de qualquer esoterismo.

A Teoria da Consciência

Uma das teorias científicas mais promissoras no campo da consciência hoje parte do pressuposto de que, assim como massa, espaço e energia, a consciência também seria uma propriedade fundamental do Universo.

Tudo teria algum grau de consciência, da menor partícula às estrelas.

O neurocientista italiano Giulio Tononi desenvolveu a Teoria da Informação Integrada que atrela consciência à informação.

O Universo seria então constituído de partes com maior ou menor Phi (Φ), a medida da Informação Integrada.

Um sistema que processa informações complexas, como o humano, é uma consciência complexa ou mais evoluída.

Um sistema que processa informações simples, é uma consciência simples ou menos evoluída.

E a evolução de uma consciência depende de diversos fatores genéticos, ambientais, sociais, culturais, entre outros.

Não seria nenhuma sandice atrelar comportamentos felizes ou infelizes aos impactos positivos ou negativos destes fatores na “construção” desta consciência.

O fato é que pessoas que são consumidas por crenças e mentalidades negativas tendem a ser menos felizes do que pessoas com crenças e mentalidades geralmente positivas.

A Anatomia da Felicidade

Fisicamente, as emoções humanas são controladas por uma complexa mistura de química, eletricidade e mensagens sensoriais recebidas de todo o corpo.

Sei que simplificar a complexidade das emoções humanas através da fisiologia pode parecer algo frio, mas o fato de que nós somos capazes de experimentar uma grande variedade de sentimentos abstratos também é uma das maravilhas da natureza e da biologia.

Podemos analisar nosso funcionamento através da química.

A tristeza, por exemplo, exige pouca resposta física, o sistema parassimpático assume o controle do coração, diminuindo seus batimentos.

Uma sobrecarga de Dopamina é a causa da esquizofrenia, uma doença onde o cérebro é aprisionado em um estado de paranóia crônica, o que gera alucinações visuais e autitivas, delírios, discurso ou lógica incompreensíveis e até mesmo a crença em perseguições, demônios e outras demências.

A depressão está associada à falta de Serotonina e de Dopamina.

Estudos já comprovam que o desgaste nos receptores de Serotonina representam um papel importante nas causas do Alzheimer.

Pelo outro lado, quando se está amando, o cérebro descarrega doses combinadas de Serotonina, Dopamina e Oxitocina.

Particularmente, sinto falta de uma mitologia na qual os deuses sejam apresentados com seus nomes científicos.

Ares, Marte, Hórus, os deuses da guerra nas mitologias grega, romana e egípcia, estariam relacionados à Adrenalina.

Afrodite, Vênus, Hator, as deusas do amor, seriam reconhecidas na Oxitocina.

A origem da palavra Morfina,  um narcótico de alto poder analgésico usado para aliviar dores severas, vem de Morfeu, o Deus dos Sonhos na mitologia grega.

Isto nos leva às endorfinas, cujo nome vem da contração de “morfina endógena”, ou seja, produzida pelo próprio organismo.

A felicidade é Endógena

As endorfinas são produzidas pelo sistema nervoso central e pela glândula pituitária em resposta a alguns estímulos, como estresse, medo ou dor.

O corpo tenta superar o mal injetando o bem.

Existem diversos tipos de endorfina, mas existe uma relacionada à sensação de felicidade.

A Beta-Endorfina desencadeia uma sensação positiva em todo o corpo.

Quando o cérebro a descarrega na corrente sanguínea, a frequência cerebral atinge picos de Ondas Gama e a sensação de bem-estar se multiplica.

A Prática da Felicidade

Meditação, exercícios físicos, aromas, dietas, sons binaurais e uma boa noite de sono, são alguns exemplos de maneiras positivas de se gerar β-endorfina.

Você pode perceber por que muitas religiões e caminhos esotéricos trabalham danças, cânticos, insensos, jejuns e outras atividades rituais?

O ato sexual em que há uma conexão profunda também libera β-endorfina. É o que trabalha o Tantra-Yoga, por exemplo.

Existem maneiras negativas também, como álcool e drogas, mas elas cobram um preço alto ao destruir o templo, seu corpo.

Toda dependência decorre do desequilíbrio, do excesso ou da falta.

Ao nos tornarmos dependentes de algo, seja uma substância química, uma pessoa ou um objeto, ocorre uma espécie de idolatria.

Aquilo passa a ser considerado a causa da felicidade.

Porém, idolatrar algo invariavelmente leva à frustração.

A montanha russa entre euforia, a presença do ídolo, e depressão, sua ausência, muda rapidamente o status do sujeito de feliz para infeliz.

O que pode ser percebido é que quando transformamos gratidão, altruísmo, perdão, honestidade e compaixão em hábitos, a β-endorfina se manifesta com mais frequência e a felicidade passa a ser o caminho e não um destino.

Também existe uma maneira muito simples e óbvia de ativar este neurotransmissor…

Rir é o Melhor Remédio

Risadas saudáveis criam uma harmonia entres os hemisférios cerebrais, unem intelecto e emoção, e descarregam os hormônios da felicidade.

Eu digo saudáveis, porque tudo neste mundo tem um potencial positivo e outro negativo e creio que você me compreende.

Diversos estudos comprovam que o riso tem efeitos potentes na saúde com impacto na diminuição do estresse e ansiedade e melhora do humor e da resiliência, a capacidade de suportar a escuridão.

No entanto, se você deseja alcançar qualquer coisa na vida, é necessário estabelecer prioridades.

Se seu objetivo é ser feliz, faça da alegria uma prioridade.

Pare de procurar a felicidade no lugar em que a perdeu.

Para de procurar a felicidade nos ídolos, seja lá quais forem.

Force a alegria: Dance! Cante! Exercite-se! Respire!

A oxigenação do cérebro está intimamente ligada à elevação da consciência e, consequentemente, ao poder de enxergar a luz em todo lugar.

Lembre-se apenas de não ficar se comparando às pessoas que estão mais abaixo no caminho.

Aceite onde você está neste momento e abra-se para sua própria jornada de descoberta.

Você é uma pessoa diferente agora.

A Alegria é o preceito mais elevado porque expande sua consciência.

 

Eldes é Escritor. Alguém que vivencia a “iluminação” como um processo e não como um raio na cabeça. Seu objetivo é motivar cada pessoa a trilhar seu caminho rumo ao autoconhecimento e à evolução. Para ele, a chave da iluminação está na união dos conhecimentos científicos, filosóficos e religiosos, o que ele chama de UniScientia. Ele é autor do livro “Como Transcender no Metrô Lotado – O Manual Para Ser Feliz em um Mundo Conturbado”.

Um comentário em “A Ciência de Ser Feliz e as Causas da Infelicidade

  1. Regina Antonia Garcia de Toledo novembro 7, 2017 — 9:57 pm

    Eldes gostei especialmente da segunda parte de seu artigo entrando no que é ser feliz, o que é Alegria e mantê-la com autonomia, à partir de si mesmo, o que faz toda a diferença!

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